Dançava rock and roll em casa, com minha irmã Lígia. Era uma coreografia algo acrobática, que víamos em filmes. Meu pai, que tinha nos comprado um lp de bela capa do Elvis, pedia para dançarmos para parentes, morríamos de vergonha...
Só na minha primeira festa de adolescente dancei " comme il faut" nos anos 60: livre e loucamente. Os colegas da minha turma do Clássico riram muito comigo.
Mas ir à festa foi pretexto. Como podia chegar tarde em casa, aproveitei para ir à minha primeira sessão de meia noite no cine Paissandu. Era um filme russo: Don Quixote.
Entrei muito à vontade no cinema ( tinha bebido um pouquinho), seguido por um amigo que tinha um topete que eu adorava, e era meio odioso, e tinha tentado me dissuadir da ideia desde a festa....
Depois fui a muitas sessões de meia noite. Com meus amigos, o Bruno especialmente. Eu tinha 20 e tantos anos e era acontecimento sempre apaixonante, nos anos 70.
Muitas vezes, quando voltava de madrugada para casa, de táxi, namorava os motoristas. Achava que era preciso, que os amava...
A um, à tarde, perguntei se seu pau era musculoso, ficou sem graça. Quando saltei, me chamou e disse que era sim...aí, também, eu meio sem graça disse que tinha gente olhando...
Numa madrugada, já de manhã, voltando para casa da Zona Sul, o motorista simpático riu com minha conversa meio solta, embriagado, e me afirmou com convicção que não era preguiçoso. Decidi que também não!
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